Rolo compressor à moda da Mata Real acaba com sensação enganadora de equilíbrio. Apesar disso, Paços de Ferreira termina em sétimo e falha melhor classificação de sempre.
Por João Tiago Figueiredo
Desbloquear um jogo com uma goleada não é para qualquer equipa. Já se sabe que nem sempre é fácil desatar o nó de um jogo de parada e resposta. Quando os golos não surgem, a incerteza toma conta do jogo, o coração dita leis e a pressa, como se diz, acaba por atacar a perfeição. Nessas alturas, o melhor que pode acontecer a uma equipa é marcar. Ninguém esperava era que o desbloqueador que o Paços encontrou fosse tão arrasador e capaz de construir uma goleada de 5-1.
O jogo entre Paços de Ferreira e Académica teve cerca de 20 minutos de equilíbrio, antes do rolo compressor local mostrar a sua arte. A sensação de jogo dividido foi beliscada pelo golo de Rondon, aos 22 minutos, que abriu o activo. Nessa altura, apenas a grande abertura de David Simão separava as duas equipas. Por pouco tempo. Passaram pouco mais de dez minutos e o P. Ferreira já estava a golear.
Veja as notas dos jogadores
Ozeia fez o segundo, Diogo Valente marcou na própria baliza de forma involuntária e depois chegou o bis de Rondon. O avançado chegou aos nove golos na Liga após passe de Leonel Olímipio o completava a transfiguração no jogo. Quase sem perceber como a Académica já perdia por quatro.
Pizzi fechou o jogo 45 minutos mais cedo
Porém, se o repentismo dos golos da casa surpreenderam os homens de Ulisses Morais (de regresso a uma casa que bem conhece) a justificação para os mesmos não é assim tão difícil de encontrar. Manuel José aproveitava o (muito) espaço que Hélder Cabral lhe cedia; Pape Sow nunca conseguiu travar o futebol de David Simão e Rondon chegava a humilhar os centrais da «Briosa», claramente sem pernas para um jogador assim.
Por isso, talvez ainda no espírito da Queima das Fitas, a Académica colecionou tiros no pé que sentenciaram o jogo. O Paços, com aquele futebol de pé para pé, que se julgava desaparecido há umas semanas, espremeu o desleixo visitante até ao tutano. E antes do intervalo, fez o quinto. Cruzamento de Manuel José, que está em três golos, e remate fulminante do herói do Dragão. Pizzi fechou em beleza uma época em cheio.
Ao intervalo o jogo estava resolvido e a pergunta que ecoava era simples: o que dizer aos homens da Académica? Como encarar mais 45 minutos de um jogo que corria mal a todos os níveis e que cheirava a humilhação? A mensagem de Ulisses Morais, pelo menos, evitou danos maiores. A equipa subiu ligeiramente o nível de coesão e ameaçou marcar num par de ocasiões. Valeu Cássio, também ele a mostrar serviço.
Destaques do encontro
O jogo, de resto, foi todo ele uma festa pacense e deu para quase todos se mostrarem. Até Paulo Sousa, a queimar os últimos cartuxos de uma carreira muito ligada ao amarelo da Capital do Móvel, foi titular, saindo depois para os aplausos de pé da Mata Real, tendo cumprido o que se lhe pedia. A toada do jogo facilitou o resto, ainda que a Académica tenha conseguido o golo de honra, por Eder, ao minuto 82.
Ainda assim, para a festa pacense ser total, faltaram as ajudas nos outros campos. V. Guimarães e Nacional impediram que o Paços conseguisse a melhor classificação de sempre. A época acaba com os «castores» no sétimo lugar. A Académica, numa época plena de altos e baixos, fica no antepenúltimo lugar, o primeiro dos que não dão descida.
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