Técnico recua uns anos e recorda uma infância vivida de cachecol do F.C. Porto ao pescoço
Por Pedro Jorge da Cunha com Sérgio Pereira
Espaço para a nostalgia na conversa entre Villas-Boas e os jornalistas, esta quarta-feira. O passado, o irrecuperável passado, tomou de assalto a sala de imprensa do Olival. Final europeia é sinónimo de glórias estacionadas no tempo. A de 1987, em Viena, foi recordada pelo próprio treinador.
Adepto incondicional do F.C. Porto, André Villas-Boas lembra-se bem da noite em que o calcanhar de Madjer e o desvio de Juary calaram os panzers do Bayern no Estádio do Prater.
«Nós, pior? Não sei onde o Domingos viu isso»
«Estava em casa da minha avó. A minha família reuniu-se toda para ver o jogo», confidenciou o técnico, normalmente muito reservado no que toca à sua vida privada. Mas falar sobre o F.C. Porto europeu obrigava a uma conversa deste tipo. Villas-Boas recuou à infância e recordou um grande ídolo. Um ídolo que agora está do outro lado da barricada.
«O Domingos era um jogador diferente. Tinha um estilo criativo, peculiar, desequilibrava no drible. Tinha um encanto especial. Era um ponta-de-lança franzino e que traz grandes memórias aos adeptos portistas.»
Pergunta atrás de pergunta até se chegar às finais de Sevilha e Gelsenkirchen. Nessa altura já Villas-Boas era colaborador directo de José Mourinho. «Fazia parte dessa equipa técnica e nos dois jogos estava na bancada.»
«Dificilmente alguém leva Hulk ou Falcao»
Em nota de rodapé mais dois assuntos. Os seis golos sofridos nos últimos dois jogos oficiais e a prestação muito interventiva no treino aberto aos jornalistas. Sobre o primeiro tema, zero de preocupações.
«Os jogos com o Spartak, em Moscovo, e com o Villarreal sucederam após goleadas em casa. Com o progredir do tempo, o conforto pode ter levado a ligeira desconcentração. Contra o Paços tivemos oportunidades de golos suficientes para ganhar. Sofremos três golos mas isto não é uma preocupação para uma equipa que tem sido competente do ponto de vista defensivo.»
Em relação ao comportamento no treino, uma tirada curiosa. «Sou sempre assim. Acho que é normal. O Domingos é mais calado? São estilos diferentes. Eu é mais vai, vai, corre, corre, acabo por não ter grande influência.»
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