Couceiro deixa a equipa no lugar em que a encontrou, o terceiro, Domingos tem uma última missão: limpar onze cabeças para quarta-feira!
Por Sérgio Pereira
Acabou, e agora que tudo acabou é de bom-tom começar por José Couceiro. Deixou o Sporting no lugar em que o encontrou, na última posição do pódio, mas sobretudo conseguiu fazê-lo em circunstâncias muito difíceis, no meio de convulsões internas e um desânimo generalizado difícil de imaginar.
É verdade que nem tudo foi bom, mas é verdade também que acabou por ser um mal menor. Nos nove jogos que fez, por exemplo, somou mais quatro pontos que o Benfica. Sintomático, não? Tem para entregar uma equipa capaz de ganhar em Braga e acima de tudo jogadores como Djaló e Matias de cabeça limpa.
Confira a ficha de jogo
Tudo isso, repete-se, em circunstâncias muito difíceis, o que faz parecer o trabalho realizado um espírito de missão admirável. Como tudo na época do Sporting, o fim foi sofrido. A equipa entrou bem em jogo, marcou cedo, pareceu até poder embalar para uma vantagem confortável mas acabou afligida.
Domingos fez o último jogo em Braga no fim de duas épocas notáveis e fez tudo para se despedir bem. Para ele o futuro é só amanhã. Sem reservas pela Liga Europa ou pelo provável futuro verde-e-branco, exigiu mundos e fundos da equipa, meteu tudo lá dentro e jogou como se fosse o último jogo da vida.
Ainda na primeira parte tirou Ukra, ele que não pode jogar em Dublin, para colocar Meyong. Mais tarde trocou Salino por Hélder Barbosa e exigiu a Alan que fizesse todo o flanco direito. Por aqui se percebe como quis tudo esta noite. Obrigou aliás a equipa a um desgaste que só se perceberá melhor quarta-feira.
Para ele, repete-se, o futuro é só amanhã. Por isso acabou com uma frente alargada de quatro homens, suportados por dois médios ofensivos e uma pressão enorme sobre a baliza de Rui Patrício. Meyong, Hugo Viana, Lima e Custódio ficaram muito perto de marcar numa segunda parte intensa e emotiva.
Meyong, de resto, marcou mesmo, mas o golo foi bem anulado por fora de jogo. Já na primeira parte, uma entrada de Polga sobre o mesmo Meyong deixa muitas dúvidas: parece penalty. Mas não terá sido por aí que o Sp. Braga perdeu. Perdeu sobretudo porque deixou o adversário usar as armas que são dele.
Quais? As transições rápidas, claro. Djaló e Postiga, por exemplo, pareceram muitas vezes duas flechas em direcção à baliza de Artur Moraes. Marcaram um golo cedo e podiam ter marcado outro. A partir o Sporting encontrou-se em vantagem e não deixou ao adversário espaço nas costas da defesa.
Ora este Sp. Braga vive sobretudo desses espaços, dessas saídas rápidas para o ataque alicerçadas numa defesa muito competente. Sem capacidade para alimentar nem um mérito nem o outro, entregou a vitória ao adversário e com ele o terceiro lugar. Agora Domingos tem uma última missão: limpar onze cabeças.
Quarta-feira é um dia histórico para todas elas.
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