Quarenta e cinco minutos de avanço bem aproveitados por Cani
Dragão em completo êxtase. Uma avalanche de FC Porto tombou um Villareal que entrou a meter respeito e saiu de gatas. Ouviram-se olés e fizeram-se ondas, o “cântico da taça” foi cantado vezes sem conta. E ainda houve tempo para o estádio vir abaixo, por cinco vezes. Cinco. Outra vez. E tudo em 45 minutos.
Comecemos, então. Ponto prévio: o Villareal é uma grande equipa e o resultado não reflete a qualidade dos de Juan Carlos Garrido. E se o domínio territorial pertenceu aos azuis-e-brancos desde o primeiro minuto, também cedo se percebeu o que já se sabia: ia ser muito difícil.
No primeiro tempo, o Villareal foi quem criou mais perigo, apostando na velocidade de Nilmar e de Rossi, nas costas da defensiva dos dragões. O primeiro, perigosíssimo, teve o golo nos pés por duas vezes; o segundo chegou a assustar, mas no cômputo geral, viu-se pouco. Quem se viu foi Cani, a aproveitar a passividade da defesa portista e desfeitar, de cabeça, o impotente Helton. Faltavam segundos para o intervalo. O “submarino” veio à superfície e fez-se notar por muito mais do que aquelas vibrantes vestes amarelas.
Do lado do FC Porto, poucos motivos para festejar. Uma defesa apertada de Helton, um corte precioso de Rolando – nas tais ocasiões de Nilmar - e uma grande penalidade sobre Hulk que o árbitro – o pior em campo, de longe -, não viu ou não quis ver. Ao intervalo, viam-se corações apertados depois de um grande, grande susto. O adversário teoricamente mais poderoso estava em vantagem, fora de casa, com um golo sofrido na pior altura possível.
Faltavam 45 minutos. Tempo suficiente para o brilharete.
O milagre de Villas-Boas
Tem-se visto um FC Porto mais apagado nas primeiras partes e melhor nas segundas. Pois este não foi apenas melhor. Foi avassalador. Foi brilhante. Foi uma equipa que quis demonstrar que já é uma das melhores de todos os tempos. Pressão altíssima, domínio total sobre um meio-campo que até aí estava em vantagem, velocidade supersónica de Hulk e Falcao – o que dizer do 9 do FC Porto?
E já agora, uma palavra para Villas-Boas. O trabalho do treinador do FC Porto tem sido absolutamente determinante para o sucesso dos “dragões” e o jovem técnico caminha para, também ele, ser um dos melhores da história do clube do coração.
Voltemos ao relvado. Minuto 49’. Diego Lopez derruba Falcao, que conseguiu pôr-se frente a frente com o guardião. Desta vez, Bjorn Kuipers viu e apontou para a marca de grande penalidade. Começava aí o show pessoal de Falcao, o melhor avançado da Liga Europa, e o FC Porto cresceu, numa tendência que o golo de Cani havia interrompido no final da primeira parte. O Villareal, sem capacidade para reagir, recuou e sucumbiu.
Guarín, hoje titular, tentou uma, duas, três vezes. À quarta, dentro da área e numa recarga, conseguiu. O resultado virava e o estádio explodia. Corria o minuto 61’. Ainda faltava o melhor.
Sete minutos depois, apareceu Hulk na direita. Grande cavalgada do brasileiro, a deixar tudo e todos para trás e servir Falcao. Que na área, já se sabe, não perdoa. E iam 13 golos na Liga Europa. Nem dez minutos depois e o colombiano cabeceava de forma certeira em resposta a livre de Guarín.
Tudo saía bem aos azuis-e-brancos. A festa era total nas bancadas, bem preenchidas por mais de 44 mil pessoas. Os adeptos pediam o quinto, entre cânticos. Falcao estava em dia sim.
E a terceira “mão-cheia” desta Liga Europa chegaria em cima do apito final, com dedo de Villas-Boas, que, com o resultado garantido, tirou Hulk, substituindo-o por James. O miúdo, que tal como Souza e Varela, entrou bem no jogo, arrancou um canto largo. Pensava-se que não ia dar em nada, até que El Tigre, em esforço, ganhou nas alturas e mandou a bola por cima de Diego Lopez, ao poste mais distante. Delírio total no Dragão!
O “submarino” foi ao fundo. Tem 90’ para tentar subir no El Madrigal, mas apenas uma catástrofe tirará o FC Porto de uma final que será, muito possivelmente, 100 por cento portuguesa. E justiça seja feita, a turma de Villas-Boas merece-a. Olá, Dublin!
Relvado
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