Domingos ganha um derby mais nacional que nunca
Por João Tiago Figueiredo
Menos nervoso e muito mais convincente, o Sp. Braga venceu no campo o braço de ferro que iniciou nos bastidores com o histórico rival. Ganhou por 3-1, subiu, de novo, ao terceiro lugar e ainda descansou jogadores para o jogo com o Dínamo Kiev. Se houve alguém que venceu este derby foi sobretudo Domingos: ganhou em todos os aspectos. Tudo isto num clima intenso, típico de um derby mais nacional que nunca.
O derby do Minho vai extravasando fronteiras. A rivalidade entre Sp. Braga e V. Guimarães aumenta com o crescimento das próprias equipas. No jogo, por isso, sentiu-se sempre o ambiente dos grandes desafios. Estádio (quase) cheio, vontade nos limites, incentivos a toda a hora. O derby minhoto cresceu, colhendo bons e maus exemplos.
Muitas provocações bracarenses ao rival, do aquecimento ao definitivo recolher. Problemas para marcar os pontapés de canto, gritos de revolta, animosidade para com os adeptos contrários. É que, do lado vitoriano, o boicote foi um «bluff». Ou quase isso. Cerca de duas centenas de adeptos vimaranenses ocuparam os lugares que era suposto ficarem desertos. Chegaram tarde, mas vieram.
Não chegaram a tempo, por exemplo, de ver Targino causar calafrios logo no primeiro lance do encontro. Valeu a atenção de Miguel Garcia, quando Artur parecia desamparado. E, curiosamente, a entrada da claque vimaranense foi sublinhada com o grande momento da primeira parte. E para o Braga.
Hélder Barbosa, com pouca intenção, mas muita colocação, tirou tinta ao poste de Nilson, a dez minutos do descanso. O melhor que os homens de Domingos, que fez descansar Vandinho, Alan e Paulo César, conseguiram num primeiro tempo de domínio territorial, mas sem frutos.
«Bem-vindos à casa do vice-campeão»
A entrada das equipas em campo, foi aproveitada pelo «speaker» bracarense para uma provocação evocando os feitos recentes da equipa. Ao V. Guimarães eram dadas as boas-vindas a «casa do vice-campeão» e da equipa que «melhor representou Portugal na última Liga dos Campeões». Os feitos bracarenses, no entanto, não encontraram espelho na primeira parte. Estava reservado para a segunda metade o verdadeiro vice-campeão.
Com uma entrada arrebatadora, que contemplou dois golos em três minutos, a turma de Domingos resolveu a questão. Mesmo que Manuel Machado tenha voltado a apostar num ponta-de-lança, antes disso, e já com Alan em campo, apareceu o melhor Braga.
Cléber salvou um golo sobre a linha ainda não estavam cumpridos cindo minutos. Paulão, no terceiro canto seguido, aproveitou uma acção defeituosa da defesa vitoriana para lançar a festa. O golo pressentia-se, não foi surpresa nenhuma. Só não se sabia que seria a dobrar.
Público pede a goleada que não chega
Ainda havia pessoas a tentar perceber como a bola tinha chegado a Paulão no primeiro golo e já o Sp. Braga festejava novamente. Ukra, por ventura o melhor em campo, flecte da esquerda para o centro e atira uma bomba com a direcção certa. Na fracção de segundo antes de a bola beijar a rede, deu toda a sensação que Nilson iria sacudir. Não o fez. O segundo tiro abatia de vez o Vitória.
A partir daí o público começou a pedir a goleada. Hugo Viana testou Nilson por duas vezes, antes de Alan fazer o terceiro, de cabeça, após canto. «Só mais um» pediu-se nas bancadas. Domingos, mais consciente, fez a multidão lembrar que há compromisso fulcral esta quinta-feira. Descansou Lima e Hugo Viana e acabou por sofrer o golo de honra do Vitória no último suspiro, por Edgar, de penalty.
Sem comentários:
Enviar um comentário