
A importância extra de Villas-Boas e Moutinho no 25.º título do FC Porto.
Por Alexandre Pereira
Falar dos méritos de Pinto da Costa nos títulos alcançados pelo FC Porto é menos útil que fazer chover num piso molhado.
Mas é forçoso, uma vez mais, tirar-lhe o chapéu por algo mais que o óbvio: duas contratações fechadas no último Verão (ou antes...) estiveram na base do 25.º campeonato nacional dos dragões. André Villas-Boas e João Moutinho, cada qual no seu posto, foram absolutamente fundamentais.
Depois de perder o título para o Benfica na sequência de mais um tetra, Pinto da Costa apostou alto num treinador que tinha como cartão de visita ter sido colaborador de Mourinho, meia dúzia de jogos na Liga e um portismo cultivado na infância. Esta característica facilmente o transformou num militante da causa e da casa. O discurso fácil e a voz bem colocada tornaram desde logo o treinador num sucesso comunicacional. Para fora, seguramente, e é de crer que também para dentro.
Aliada a este marcar de posição formal, a qualidade que Villas Boas soube demonstrar em campo e no banco fez o resto. O técnico campeão teve a faculdade de não mexer estruturalmente no 4x3x3 cultivado desde há anos, deixando que o tempo trouxesse ao de cima, calmamente, o carácter mais alegre e vistoso da sua filosofia de jogo. Quando perdeu pontos, André Villas-Boas perdeu também um pouco a pose, mas soube redimir-se em tempo útil. É ele, provavelmente, o rosto principal da vitória.
Hulk, por maioria de razão e golos, terá sido o jogador mais influente. Falcao seguiu-lhe as pisadas de perto, Helton é uma referência da equipa e uma figura de liderança, Belluschi teve muitos e constantes momentos mágicos, Rolando cresceu como central e foi capaz de manter o rumo com a variação constante de companheiro de defesa: ora Otamendi ora Maicon. Guarín, não esquecer, disparou para uma fase final de época brilhante.
Mas foi João Moutinho quem conferiu o equilíbrio ao jogo portista. Foi ele o mais constante dos médios e por isso o mais utilizado. No único jogo do campeonato em que foi suplente, com a Académica em casa, só depois de ele entrar a equipa garantiu a vitória.
Numa evolução lógica, que mostrou igualmente em cada um dos anos acumulados no Sporting, acrescentou maturidade à gama de recursos que fazem dele o mais brilhante jogador de equipa do futebol português. Já o era há um par de anos, prova-o finalmente com a titularidade indiscutível na selecção e no campeão nacional. Provavelmente por ser baixinho, a Europa continuará a ignorá-lo. Pinto da Costa e os portistas agradecem.
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