quarta-feira, 6 de abril de 2011

Benfica-PSV: o insólito no adeus de Eusébio

Primeiro confronto com holandeses foi o último do King na Europa
Por Redacção com LPF

A história passa-se em Março de 1975. A Liberdade ainda dava os primeiros passos em Portugal, Eusébio e Simões os últimos no Benfica. Os encarnados viriam a ganhar o campeonato nesse ano, mas na Taça das Taças caíram frente ao PSV Eindhoven, que voltam a ter pela frente, agora nos quartos da Liga Europa.

Na Holanda, no estádio da Philips, houve um apagão. Na Luz, o Benfica perdeu por 2-1. Pelo meio, uma viagem insólita da selecção portuguesa ao Brasil para jogar com uma equipa de Goiás! O presidente das águias da altura logo criticou a Federação Portuguesa de Futebol, após a eliminação encarnada. O primeiro Benfica-PSV foi o último jogo europeu de Eusébio. E de Simões, já agora.

A 5 de Março, os encarnados deslocam-se a Eindhoven para defrontar o PSV, na primeira mão. O resultado final é um 0-0, mas as incidências na partida são várias. «Tive de entrar para a baliza, na segunda parte, porque o Zé Henrique fracturou um dedo. Foi uma luta diabólica para os guarda-redes, o avançado deles, o Edstrom, tinha quase dois metros.» As palavras foram recolhidas pelo Maisfutebol, aquando da publicação do livro «Sport Europa e Benfica». As palavras são de quem viveu a partida, mas só em alma mora agora na Luz: Manuel Bento.

Humberto Coelho foi o primeiro jogador da história encarnada a marcar ao PSV. A antiga glória também relatou no livro doMaisfutebol o apagão no estádio: «No jogo de Eindhoven, faltou a luz a dez minutos do fim. Estava 0-0, o PSV ao ataque, e isso foi uma bronca porque o jogo parou mais de dez minutos. No estádio e no clube da Philips não é assim muito boa publicidade.»

Um jogo de Portugal com uma selecção de Goiás?

Fim da partida em Eindhoven e os internacionais do Benfica numa epopeia para o lado de lá do Atlântico. Eis o que conta Toni: «Fomos directos do jogo para o aeroporto de Amesterdão, daí voámos para o Rio de Janeiro e depois para Goiás.» Uma viagem de loucos para a selecção, uma temperatura escaldante, um relvado impraticável. Portugal perdeu o estranho particular por 2-1, que jogou a troco de 30 mil euros.

O treinador do Benfica perdia muito mais, no entanto. «Estavam 40 graus em Goiás e o jogo foi à tarde. A 15 minutos do fim, fiz um sprint e lesionei-me no nervo ciático. Tive de parar 15 dias». O suficiente para Tamagnini Nené falhar a segunda mão com o PSV.

Gémeos Kerkhof e Humberto com a língua de fora

Após Goiás, os internacionais encarnados regressaram a Lisboa. O técnico Miroslav Pavic tinha jogadores de rastos e jogava ainda com a CUF, para o campeonato. A vitória tangencial na Luz, por 1-0, com golo de Moinhos aos 87 minutos, fazia prever o pior para o confronto da Taça das Taças.

O Benfica precisava de vencer, os holandeses distribuíram tulipas aos adeptos antes da partida, Eusébio surgia como capitão (coisa rara no King), mas o joelho esquerdo atraiçoava-o. Pior só a velocidade do PSV. «Era a equipa dos dois irmãos Kerkhof, muito rápidos. O Humberto saiu disparado para um sprint, atrás de um deles, e ficou com a língua pendurada ao pescoço, parecia uma gravata», ria Toni, quando nos relatou a incidência.

O antigo central confirma as dificuldades, no «Sport Europa e Benfica»: «Não me esqueço dos gémeos Kerkhof, o Willy e o René, internacionais holandeses. Lembro-me especialmente do Willy: jogava pela direita e certa vez deu um sprint do meio-campo à linha de fundo que eu ia morrendo. Consegui aguentá-lo até ao fim e cortei-lhe a bola na linha, mas fiquei afanado.»

Na Luz, um dos irmãos Kerkhof fez o 1-0, Humberto Coelho igualou, mas no desespero encarnado de chegar ao triunfo, o PSV marcou de novo, por Kuijlen (2-1). O presidente Borges Coutinho atirou-se à FPF e pediu indemnização pela viagem a Goiânia. Eusébio e Simões deixavam o relvado. A Europa do futebol dizia adeus a um Rei. E a um príncipe, também. O Benfica apenas dizia adeus à Taça das Taças.

Sem comentários:

Enviar um comentário