quarta-feira, 6 de abril de 2011

Beira Mar-Sp. Braga, 1-2 (crónica)


Subir ao pódio de calcanhar dá outro estilo
Por Pedro Jorge da Cunha

Perdido numa dúvida existencial durante largo período, o Sp. Braga subiu de calcanhar ao pódio da Liga. Fê-lo com estilo, portanto, e equilíbrio. Mas arriscou muito. Jogou mal durante a primeira parte, esteve a perder e deu asas à liberdade imaginativa de um Beira-Mar muito interessante. Desfeita a tal dúvida com que abrimos o texto, tudo mudou para melhor e o Sp. Braga chegou à quarta vitória consecutiva no campeonato.

E que dúvida foi essa? O Sp. Braga andou perdido, desorientado até, entre duas teorias. Por um lado havia o cunho cerebral de Hugo Viana, uma espécie de Einstein entre bárbaros. Génio e incompreendido, está bom de ver. No instante em que os minhotos assumiam essa opção, a bola rolava com qualidade, mas sem intensidade. Rui Rego jamais foi incomodado.

Os Destaques: Meyong, o homem do calcanhar

A outra facção, a dos bárbaros, tinha sangue a fervilhar, intenções líricas e uma desorganização capaz de enervar o mais pacífico dos tibetanos. Paulo César, Alan, Ukra e Alan foram, minutos a fio, uma força temperada com desequilíbrios.

Explicar a teoria da relatividade a um bárbaro? Nem com o pé esquerdo de Hugo Viana.

As boas opções de Domingos desde o banco de suplentes evitaram o pior.

Perante esta querela interna, quase inconciliável, o Beira-Mar aproveitou e impôs a sua ditadura dos baixinhos. Artur, Yartey e Leandro Tatu, avançados móveis, instigadores do caos, foram ganhando confiança e começaram a olhar de cima para baixo os adversários.

Perto do intervalo, cruzamento de Artur e cabeceamento de Tatu para o 1-0. Era a prova inequívoca da fragilidade dogmática das políticas do Sp. Braga. E assim continuou o jogo até aos 55/60 minutos.

FICHA DE JOGO

Para o Sp. Braga não havia marcha atrás possível. Sem consenso possível, a loucura instalou-se e foi sanada apenas com as decisões do técnico. Sai Hugo Viana, por vezes demasiado à frente na forma de pensar, entra mais um avançado selvagem. Ali, aos 65 minutos, morreu a dicotomia de um corpo que estava perto de se auto-triturar.

Salvou-se a tempo, porém. Nos últimos 25 minutos, a barbárie minhota arrasou a defesa aveirense. Primeiro num autogolo de Jaime e depois num calcanhar fabuloso de Meyong. Sem pensador, o Braga foi todo paixão, todo irracional e conquistador. Resultou.

A reviravolta confirmou que há recompensa para quem se esforça, embora sem seguir as leis mais sensatas. Mas nem todas as dívidas podem ser pagas desta maneira.

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