segunda-feira, 30 de maio de 2011

Barcelona acabou a abanar as ancas com Shakira





Fim de festa em grande no concerto da colombiana, namorada de Piqué
Por Redacção

A festa da Liga dos Campeões terminou com os jogadores do Barcelona a abanar as ancas com Shakira. Nem de propósito, o dia do regresso do novos campeões europeus a casa coincidiu com um concerto da colombiana. Que, além de dispensar apresentações, é namorada de Piqué.

As fotos da conquista e da festa do Barça

Foi toda a equipa ao Estádio de Montjuic, incluindo o treinador, Pep Guardiola. E o concerto até esperou por eles: começou com mais de uma hora de atraso.

Depois da vitória em Wembley e de um dia inteiro de festjos, com parada triunfal pela cidade, Piqué, Xavi, Villa, Pedro, Busquets e Bojan ainda tiveram energia para subir ao palco e dançar (ou tentar, vá).

Video em http://www.record.xl.pt/multimedia/videos/interior.aspx?content_id=699947

Uruguai de Maxi e Alvaro jogou com 12...literalmente!



Adepto entrou em campo para jogar durante o encontro particular com a Alemanha, no último domingo.
Por Redacção com VHA

O Uruguai, com Maxi Pereira (Benfica) e Alvaro Pereira (F.C. Porto), perdeu um encontro particular com a Alemanha, no domingo. A selecção germânica garantiu o triunfo por 2-1 mas teve de enfrentar a pressão do adversário dos derradeiros minutos da partida.

Aliás, no período de descontos, o Uruguai chegou a jogar com 12 elementos, literalmente. Um adepto entrou em campo com a camisola da selecção, colocou-se no flanco esquerdo e pediu a bola. Ela chegou, o rapaz tentou participar no jogo mas foi rapidamente desmascarado. Valeu pela intenção.

Dani Alves não viu a final de 1992: sabe por quê?



Lateral brasileiro não tinha televisão quando o Barcelona derrotou a Sampdoria em Wembley
Por Redacção com PJC

Dani Alves é peça basilar no xadrez de Pep Guardiola e deverá ser titular na final da Liga dos Campeões. O lateral do Barcelona, curiosamente, não assistiu ao jogo decisivo da Taça dos Campeões Europeus em 1992. Aquele que deu a primeira taça da principal prova europeia de clubes ao Barcelona. Sabe por quê?

Guardiola vai começar a inspirar-se em Villas-Boas

«Onde vi o jogo? Em lugar nenhum! Eu tinha nove anos e não sabia nem o que era uma televisão. Na minha casa não havia, porque cresci numa família muito humilde», revelou Dani Alves em entrevista ao jornal AS.

Nesse jogo que Dani Alves não viu, o Barcelona derrotou a Sampdoria por 1-0 e o golo foi marcado poe Ronald Koeman aos 112 minutos. A partida foi disputada em Wembley, tal como a do próximo sábado.

domingo, 29 de maio de 2011

Villas-Boas: visitar o palco da Supertaça a ver a F1



Treinador esteve no Mónaco e viu Vettel a vencer. No dia 26 de Agosto, F.C. Porto e Barcelona defrontam-se no principado
Por Pedro Jorge da Cunha

André Villas-Boas juntou duas paixões numa só viagem e deslocou-se ao Mónaco este fim-de-semana. O treinador do F.C. Porto, sabe o Maisfutebol, aproveitou para visitar o palco da Supertaça Europeia e assistir ao Grande Prémio de Fórmula Um do principado.

Os dragões defrontam no dia 26 de Agosto o Barcelona, no Estádio Louis II, numa partida que coloca frente a frente os vencedores da Liga Europa e da Liga dos Campeões, respectivamente. O F.C. Porto já ergueu este troféu uma vez, ao derrotar o Ajax Amesterdão em dois jogos no ano dourado de 1987.

F1: Sebastian Vettel é o novo «rei» do Mónaco

Este domingo, Villas-Boas terá vibrado com mais uma vitória de Sebastian Vettel, o grande dominador do Grande Circo na actual temporada. O alemão da Red Bull venceu a sua quinta corrida em seis possíveis, numa corrida plena de animação e acidentes, abençoada pela ostentação tão peculiar das ruas sinuosas do circuito citadino do Mónaco.

O F.C. Porto está de férias e tem o regresso ao trabalho agendado para o dia 30 de Junho.

Jugoslávia: Boban e a iminência da guerra



Em 1990 o futuro jogador croata do Milan agrediu um polícia sérvio em pleno relvado, numa imagem que correu mundo
Por Sérgio Pereira

1990. Tito morrera há nove anos e com ele morrera também a ambição jugoslava. O ditador, croata de nascimento, sonhara unir seis repúblicas numa bandeira. O mundo olhava com receio para os Balcãs: «Seis repúblicas, cinco etnias, quatro línguas, três religiões, dois alfabetos e um partido», brincava.

A frase faz-se acompanhar de uma graça relativa, mas de uma curiosidade pertinente: a Jugoslávia era realmente uma aliança étnico-religiosa de residência pouco pacífica. Com a morte de Tito, o fim precipitou-se. Cresceu a animosidade, o ódio e a raiva. Os jogos de futebol tornaram-se campo fértil ao rancor.

O dia em que um clube adiou a guerra (e venceu a Champions)

Sobretudo os jogos entre sérvios (Estrela Vermelha e Partizan) e croatas (Hajduk Split e Dínamo Zagreb) eram um excelente barómetro da convivência jugoslava. Em 1990, no tal dia 13 de Maio, o mundo percebeu que aquele era um país com fim anunciado. Num Estrela Vermelha-Dínamo Zagreb, lá está.

O encontro ficou para a história como o jogo de Boban, mas a verdade é que começou muito antes dele. Decorreu sob fortes medidas de segurança, num perigoso. Não chegou ao fim, obviamente. Os confrontos começaram nas bancadas, invadiu-se o relvado, o estádio parecia um campo de guerra.

Nessa altura dás nas vistas Boban. O jovem croata, com 21 anos, agridiu um polícia sérvio e multiplicou o confronto. «Os ultras do Estrela Vermelha é que provocaram tudo e a polícia desatou a agredir os croatas. Revoltei-me quando os vi bater em simples miúdos e gritei isso para a polícia.»

Memórias de uma geração roubada pela guerra

«Em resposta fui agredido com matracas. Nunca esquecerei os olhos do polícia cheios de ódio», disse Boban numa entrevista anos mais tarde. À custa desse episódio foi transformado em herói nacional e capitão da selecção. Antes disso, porém, foi suspenso oito meses pela federação e andou fugido da polícia.

Milic Jovanovic estava nesse jogo e diz que foi das coisas mais feias que viu. «Foi muito feio. Foi mau. É uma situação que sempre quis esquecer. Estive presente, vi tudo com os meus olhos e prefiro nem falar disso», diz, ele que se afirma como um jugoslavo convicto. «Nessa altura não nos faltava nada.»

O antigo guarda-redes leu a entrevista de Boban e não gostou. «Não sei se ele está arrependido ou não do que fez... Ele é meu amigo, continuo a falar com ele, mas aquela entrevista saiu-lhe mal», atira. «É um grande jogador, mas às vezes a cabeça não acompanha o talento.»

Jugoslávia: uma geração roubada pela guerra



Pancev demorou quinze anos a receber a Bota de Ouro e os mais brilhantes jogadores do futebol jugoslavo foram impedidos de jogar na Suécia. Lembra-se?
Por Sérgio Pereira

A geração de jogadores que venceu a Taça dos Campeões Europeus de 91 foi provavelmente a melhor geração do futebol jugoslavo. Quatro anos, Prosinecki tinha sido o melhor jogador de um Mundial de juniores que a Jugoslávia venceu: ao lado de Mijatovic, Suker, Boban, Jarni e tantos outros.

Em 1992 apresentava-se por isso no auge das suas capacidades e pronta para impressionar o mundo no Europeu da Suécia. Questões políticas não lho permitiram. «Foi uma injustiça muito grande», conta Milic Jovanovic. «A política misturou-se com o futebol e foi cruel para muitos jogadores.»

O caso mais surreal será o de Darko Pancev. O avançado que um dia Sousa Cintra sonhou ter no Sporting, e que acabou no Inter Milão, foi o Bota de Ouro de 91. Mas não recebeu o prémio. «Era macedónio e a UEFA considerou que não se devia dar o prémio a um jogador de um país que estava em guerra.»

O dia em que um clube adiou a guerra (e venceu a Champions)

«Quinze anos depois, quando se levantou o embargo, entregaram-lhe então o prémio. Quinze anos depois», repete Jovanovic ao Maisfutebol. «Falei com ele nessa altura, disse-lhe que merecia aquele prémio porque era dele e ele disse-me que era política e em relação a isso não se pode fazer nada.»

O caso mais mediático foi porém o da selecção no Euro 92. «Os jogadores estavam na Suécia, preparados para jogar e em cima do início da prova proibiram-nos de participar.» O caso assumiu contornos surreais. «Levantou-se o embargo e os aviões da Jugoslávia não podiam sobrevoar o território europeu.»

«O avião estava na Suécia, pronto para trazer os jogadores para casa, mas não podia sobrevoar território europeu. Após dias de conversações, chegaram a um entendimento. Quando recebeu autorização para levantar voo, outro problema: a Suécia não vendia combustível a um avião jugoslavo», recorda.

Quando Boban afirmou a iminência da guerra

«Passou-se mais um ou dois dias em conversações, até que o avião regressou a Belgrado muito injustamente. Depois a Dinamarca, que entrou no nosso lugar, ganhou esse Europeu. Podíamos ter sido nós. Mais uma vez a política estragou tudo. A política andou sempre metida no meio da nossa geração.»

Uma política com a qual Jovanovic nunca quis ter nada a ver. «Foi uma injustiça muito grande», sublinha. «Por causa da política aqueles jogadores não foram tão longe como podiam ter ido. Imagine uma selecção com Stojkovic, Boban, Prosicenki, Savicevic, Mijatovic, Pancev, Suker, Mihajlovic, Jugovic...»

Clube adiou a guerra e venceu a Champions



Há precisamente 20 anos uma geração brilhante de jogadores do Estrela Vermelha construiu a paz no moisaco étnico dos Balcãs: mas só durou três meses
Por Sérgio Pereira

29 de Maio de 1991. Faz este domingo vinte anos que a antiga Jugoslávia interrompeu o clima de ódio e tensão para celebrar a festa do futebol. A guerra estava iminente, o conflito mais cruel e sangrento que o mundo conheceu depois da Guerra Mundial, mas nesse dia os povos uniram-se na celebração.

A celebração que se fala é a vitória na Taça dos Campeões Europeus: foi o único título europeu de uma equipa jugoslava (ou sérvia, ou croata, ou bósnia). Na final o Estrela Vermelha venceu o Marselha, de Mozer, nos penalties. A outra noite de glória sucedeu nas meias-finais, na eliminação do Bayern.

Luko Petrovic, o treinador croata desse Estrela Vermelha, disse anos depois que aquela equipa construiu a paz, só foi pena que o país não lhe tenha seguido o exemplo. Três meses depois rebentou a guerra que roubou a vida a milhares de inocentes. Jovanovic lembra-se desta entrevista. «Falou bem, o mister.»

Quando Boban afirmou a iminência da guerra

Jovanovic era o guarda-redes suplente do Estrela Vermelha e viveu por dentro a epopeia da equipa memorável que reunia todo o mosaico étnico dos balcãs. Com o início da guerra veio para Portugal. Para sempre: por estes dias é treinador do Leça. «Aqui encontrei paz, sossego e amigos. É tudo o que preciso.»

O convite do Maisfutebol fê-lo recuar no tempo para lembrar esses dias. «São coisas que nunca se esquecem», diz com água nos olhos. «Quando voltámos Belgrado estava parada. A polícia não deixava os carros circular. Passámos de autocarro descapotável, todos nos saudavam.» Milhares de pessoas.

«No início da época sentia-se que podíamos ir longe, mas no primeiro jogo empatámos em casa com o Grasshopers e foi uma tristeza como nunca vi. Foi a semana mais difícil. Depois fomos à Suíça ganhar por 4-1 e nunca mais parámos.» A final foi diferente. «Muito pobre, 0-0. Ganhámos nos penalties.»

Memórias de uma geração roubada pela guerra

Para trás tinha ficado o ódio que marcava o relacionamento entre os povos. «A guerra começou três meses depois», conta. «Sangrento? Foi sobretudo muito sujo. Mataram-se milhares de civis inocentes. Foi muito violento. Mas de todos os lados: não estamos a falar só de sérvios ou só de croatas.»

«Sérvios, croatas, bósnios, foram todos iguais. E agora parece que não se passou nada. São amigos, fazem negócios, enfim. Mas quem morreu, morreu.» Jovanovic saiu do país em 93, a maior parte dos colegas saiu ainda antes disso. «Com o início da guerra desfez-se a equipa. Ninguém quis ficar lá.»

Para a história ficou o exemplo de uma equipa irrepetível. «O mister Petrovic era croata, como o Prosinecki. O Savicevic o Radinovic e o Marovic eram montenegrinos, o Pancev era macedónio, também havia bósnios.» Viviam todos em Belgrado e defendiam um Estrela Vermelha conotado com o regime.

«Dávamo-nos muito bem. Não olhávamos para o lado a pensar que era croata ou bósnio ou macedónio. Mantivemos sempre a amizade, alias. Frequentemente reunimo-nos em Belgrado. Este ano vai fazer-se uma grande festa. Até se convidou o Marselha para recordar a final». Jovanovic já está aliás em Belgrado.

«Nessa altura já havia tensão, a política provocava raiva entre as pessoas, mas nós não queríamos saber. Eram coisas que ficavam à porta do balneário.» Um balneário cheio de talento. «Agora fala-se do Messi, mas o Savicevic na altura já fazia as mesma coisas que o Messi faz agora. Era fantástico»

«O Pancev foi Bota de Ouro, o Mihajlovic fez catorze anos em Itália, o Prosinecki jogou no Real e no Barça, o Jugovic ganhou três Ligas dos Campeões por três clubes diferentes. Era uma equipa com muita qualidade, não era?». «Sem dúvida», responde-se. Provavelmente só ela podia adiar a guerra.