sábado, 28 de maio de 2011

"Vou explodir na próxima época"



A exuberância e acutilância que apresenta nos relvados está longe de corresponder à personalidade fora deles. James é tímido e reservado, mas também seguro e conciso nas ideias que expressa. A O JOGO, falou da época "fantástica" do FC Porto, mas também do desejo de fazer ainda mais na próxima. Afinal, vem aí a Liga dos Campeões...

Agora já sabe o que é a Avenida dos Aliados?

Sim, sei (risos). Foi uma grande festa, com muitos adeptos, e foi um momento importante para os jogadores sentirem aquele carinho todo. Impressionou-me muito, porque havia muita gente nas ruas. Já sabia que o FC Porto era um clube grande, mas ali percebi ainda melhor o que representa para as pessoas. Senti também que é um clube habituado a ganhar.

Mas imaginava, quando ainda estava em Dublin, que iria encontrar tanta gente a festejar no Porto?

Não, claro que não. Tanta gente não. Foi um momento muito bonito e que nunca mais esquecerei.

Depois de tantas vitórias esta temporada, o que mais o entusiasma para a próxima?

Jogar a Liga dos Campeões, claro. Vou jogar esta competição pela primeira vez e é mais um sonho que vou cumprir. Estou muito entusiasmado com essa possibilidade.

Espera ser mais vezes titular ?

Trabalho para estar sempre entre os titulares, mas essa é uma decisão que está nas mãos do treinador. Eu espero jogar mais, estar sempre no onze inicial, e é com essa ideia que vou partir para a próxima época.

Na próxima temporada, as responsabilidades vão aumentar. Está preparado para corresponder às expectativas?

Sinto-me preparado, sem dúvida. Fiz uma boa época, mas acredito que posso fazer ainda melhor na próxima. Tenho a convicção de que vou explodir definitivamente no próximo ano.

Mas, para isso acontecer, seria mais fácil se saísse algum dos habituais titulares?

Acho que não... Mesmo que alguém vá embora, será sempre duro, porque o FC Porto só escolhe grandes jogadores para o plantel

Até Janeiro, fez apenas seis jogos pelo FC Porto. Que pensava nessa altura?

Sinceramente, estive sempre tranquilo. Sou jovem e tive a noção, desde o primeiro dia em que cá cheguei, que havia colegas mais velhos, com outro estatuto, e que são excelentes jogadores. A concorrência directa era - e continua a ser - muito forte, pelo que sabia que teria de esperar pela minha oportunidade.

E que lhe dizia o treinador nessa altura?

Dizia-me para estar tranquilo e para continuar a trabalhar da mesma forma. Por exemplo, o Guarín passou pelo mesmo e ele também sempre me disse para não perder a tranquilidade, porque a minha vez iria chegar. E chegou (risos).

Quando assinou pelo FC Porto, imaginava encontrar um clube assim?

Não tinha uma ideia muito formada... Sabia que o FC Porto é um clube grande e habituado a ganhar muitos títulos, como pude constatar esta temporada. Também me disseram que tinha uma estrutura muito boa e com condições espectaculares para os jogadores. Como devem imaginar, tudo se confirmou.

Texto de PEDRO MARQUES COSTA e TOMAZ ANDRADE

FC Porto, 69 - Benfica, 68. É a pronúncia do Norte



O FCP já é o clube português com mais títulos depois de uma tarde em que até ultrapassou o Sporting em Taças de Portugal (16-15) e dobradinhas (7-6)

Era uma vez... Vamos passar a parte do Lobo Mau (vocês sabem muito de quem é que estamos a falar) e de todas essas personagens dos contos que começam da mesma maneira. Vamos, isso sim, directos ao assunto, à história do FC Porto, o clube que já é o maior de Portugal. Não em adeptos, mas em títulos: 69-68 sobre o Benfica - o Sporting está "ligeiramente" atrás, com 45.

Lino; Júlio Cardoso e Artur Augusto; Mota, Carneiro e Floriano; J. Brito, Balbino, Alexandre Cal, Tavares Bastos e João Nunes. Este é o onze do FC Porto que ganha 3-1 ao Sporting na finalíssima do Campeonato de Portugal (entre os campeões dos regionais de Lisboa e Portugal), no Estádio do Bessa, a 18 de Junho de 1922. O FC Porto de 1921-22 é também a primeira equipa que levanta um troféu nacional, antes de Sporting (1923) e Benfica (1930). Estamos perante uma equipa histórica, que o tempo nunca apagará. O primeiro, seja qual for o item, é sempre importante.

Obviamente que o aparecimento do Sporting dos Cinco Violinos e do Benfica de Eusébio, entre os 40''s e os 70''s, reduzem o FC Porto ao poder regional mas a partir dos anos 80 dá-se a nortada, um movimento que ainda está no ar, a comprovar pelos quatro títulos de 2010-11 (Supertaça, Campeonato, Liga Europa e Taça de Portugal), que só tem paralelo em 1987-88 (Supertaça Europeia, Taça Intercontinental, Campeonato e Taça de Portugal).

Com o póquer de 2010-11, o FC Porto chega aos 69 títulos e ultrapassa o Benfica. Quem imaginaria isto há uma dúzia de anos? Ou mesmo em Agosto de 2010? Poucos. Ou ninguém. Nem o Lobo Mau.

O incrível não é a equipa de Villas-Boas levantar quatro canecos, um deles europeu, nos últimos nove meses. O incrível não é Hulk marcar um golo de canto directo. O incrível não é Beto defender mais um penálti do Vitória (depois de Hugo Leal, do Setúbal, agora Edgar, do Guimarães). O incrível é o FC Porto ganhar sempre um título desde a época 1989-90, numa altura em que a classificação dos três grandes era Benfica (56), Sporting (34) e FC Porto (27) - a última época em que os portistas nada ganham remonta a 1988-89 (segundos classificados na Liga, eliminados na Taça pelo Belenenses nos oitavos-de-final, finalista vencido da Supertaça nacional, batidos pelo Vitória Guimarães, e humilhados pelo PSV Eindhoven na 2.ª ronda da Taça dos Campeões com 0-5 e 2-0)

Outro pormenor revelador da supremacia portista nos últimos anos. Com a tarde de gala no Jamor, o FC Porto ultrapassa o Sporting em Taças de Portugal: 16-15. Quanto a dobradinhas, o FC Porto já colecciona sete. E também aqui ultrapassa o Sporting. Mas está a duas do Benfica. Isso mesmo, o clube com mais adeptos. E também o clube do era uma vez. Era uma vez... tínhamos mais títulos que os outros.

Texto de Rui Miguel Tovar

A FIFA decidiu, carago! Afinal o maior é o FC Porto



Num instante tudo muda. Não é publicidade gratuita, é o jackpot que continua a fazer excêntricos por esse futebol fora. Esqueça tudo o que sabe: se Pelé, que nunca tinha ganho qualquer Brasileirão, foi dos zero aos seis (títulos) num piscar de olhos, então o FC Porto também pode ser o maior clube de Portugal. O parecer é relativo, mas, quando o assunto é mobiliário, a FIFA não dá o braço a torcer. A Taça Latina, que o Benfica conquistou em 1950, "não merece o reconhecimento oficial". Quer isto dizer que afinal não há empate, nem tão-pouco prolongamento. 69-68 sobre o Benfica: o FC Porto venceu a Taça de Portugal e é, desde domingo, o clube português com mais troféus conquistados.

Estão esclarecidas as dúvidas quanto ao número de títulos oficiais que os dois emblemas mais bem-aventurados de Portugal exibem nas respectivas estantes. O departamento que gere as bases de dados da FIFA explicou à agência Lusa que o organismo não reconhece a Taça Latina de futebol porque as leis do jogo em vigor na altura "não eram aplicadas a essa competição". A FIFA recorda que "nunca se referiu aos vencedores da Taça Latina em qualquer publicação sua", e que por isso o galardão não deve constar na lista de troféus internacionais oficiais conquistados pelo clube da Luz.

Latinos No mês em que o Benfica comemorou os 50 anos do primeiro título europeu, numa emocionante final frente ao Barcelona, a FIFA lançou um balde de água fria naquela que foi a primeiríssima grande conquista do clube na Europa. Na época 1949/50, as águias derrotaram o Bordéus e venceram a Taça Latina, disputada entre os campeões nacionais de França, Itália, Espanha e Portugal. A competição, antecessora da Taça dos Campeões, começou a ser disputada em 1949 e era organizada pelas federações dos quatro países. Foi a primeira, e única, vitória de um clube nacional na Taça Latina, mas de pouco vale para a contabilidade da Luz.

Não é inédito este condão que o futebol tem de promover excentricidades. Há cerca de seis meses, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu reconhecer os títulos da Taça Brasil (1959-68), que reunia os campeões estaduais de todo o Brasil, e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão (1967-70), que se jogava com os três melhores dos estados do Rio, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, como conquistas nacionais. Se o futebol não é a sua praia e o Brasileirão, campeonato nacional, até nem lhe diz nada, não se preocupe. A segunda parte da história é sobre Pelé. O Rei, que nunca tinha ganho um Brasileirão, tornou-se num abrir e fechar de olhos hexacampeão. É que com a decisão da CBF o Santos (de Pelé) e o Palmeiras passaram a ser detentores do maior número de títulos nacionais, oito cada um. Sua majestade recebeu as seis medalhas de campeão numa tarde e sentou-se num trono que os brasileiros dizem ter sido sempre seu.

Um rei é um rei e o nome de Pelé, o homem que marcou 1281 golos em toda a carreira, nunca devia ser pronunciado em vão. Assim como vãs são tentativas de fechar as contas do FC Porto. Ah, e os azuis-e-brancos podem subir a parada já no início da próxima época - vão disputar a Supertaça portuguesa com o Vitória de Guimarães e a Supertaça europeia contra Barcelona ou Manchester United.

Texto de Inês Melo

FC Porto ultrapassou mesmo o Benfica



O departamento que gere as bases de dados da FIFA esclareceu à agência Lusa que a Taça Latina de futebol, que o Benfica conquistou em 1950, “não merece o reconhecimento oficial” do organismo.

O mesmo departamento explicou à Lusa que as leis do jogo em vigor na altura “não eram aplicadas nessa competição”, pelo que a FIFA “nunca se referiu aos vencedores da Taça Latina em quaisquer das suas publicações”.

Desta forma, a Taça Latina não deve figurar na lista de troféus internacionais oficiais conquistados pelo Benfica, pelo que o FC Porto passou mesmo a ser o clube português com mais títulos desde o último domingo, quando conquistou a 16.ª Taça de Portugal da sua história, somando um total de 69, contra 68 do Benfica.

Com o triunfo por 6-2 sobre o Vitória de Guimarães, o FC Porto somou o 69.º título, mais um do que o total do Benfica, que esta temporada só ganhou a Taça da Liga, enquanto os “dragões” conquistaram campeonato, Taça, Supertaça e Liga Europa.

O FC Porto pode dilatar a vantagem para o Benfica já no início da próxima época, pois terá logo no arranque da temporada dois troféus para disputar: a Supertaça de Portugal, novamente diante o Guimarães, e a Supertaça Europeia, contra FC Barcelona ou Manchester United, que disputam no sábado a final da Liga dos Campeões.

Este departamento da FIFA acrescentou que a Taça Intercontinental, ganha pelo FC Porto em 1987 e em 2004 (última edição) é reconhecida oficialmente pela FIFA “desde a sua criação”, em 1960, mesmo quando passou a chamar-se Taça Toyota, a partir de 1980.

No entanto, só a partir de 2005, ano em que a FIFA começou a organizar o Mundial de Clubes, é que passou a ser consagrado pelo organismo o clube campeão do Mundo.

O FC Porto é identificado pela FIFA como vencedor da Taça Toyota, até 2004 disputada apenas entre o campeão europeu e o sul-americano.

CHELSEA TARGET ANDRE VILLAS-BOAS: WATCH HIM IN ACTION AND READ ALL YOU NEED TO KNOW



By Chris Mendes

Bobby Robson took him under his wing when he was 16 - and now, just over 16 years later Andre Villas-Boas is football's most sought after manager.

Allow us to explain what all the fuss is about...


Born in Porto on 17 October 1977, he harbored ambitions of a coaching career in football from a young age when he considered various P.E courses as his way in before making a decision which changed his life as a 16 year-old.

At the time, he was living in the same apartment block in his hometown as then Porto manager Sir Bobby Robson - and decided to take advantage by dropping a letter into his mailbox. He explained in his own words, why Sir Bobby should use his favourite player, Domingos Paciência more often.

Ironically, Paciência is now the manager of Sporting Braga. The same man who Villas-Boas defeated in this year's Europa League final.

Back to Sir Bobby at Porto, who was so impressed with the letter he received, that he challenged Villas-Boas to collate statistics from Porto's next few games - the results of which were so extensive and eagle-eyed he was offered a trainee position with the club's youth set up.

Under Robson's guidance he achieved his UEFA C coaching license as a 17 year-old in Scotland before coaching the British Virgin Islands for a short period aged 21.

Minors are not usually permitted to take the UEFA coaching courses but Robson persuaded the authorities to make an exception while he also insisted he spent time at Ipswich watching George Burley training his team there.

Jose Mourinho meanwhile, was working for Porto as Robson's interpreter when Villas-Boas first joined the club but departed for Barcelona along with Sir Bobby two years later. When Mourinho returned to Porto as manager in 2002, he made Villas-Boas his opposition scout.

They struck up a winning formula, enjoying successive trebles including the UEFA Cup and Champions League trophies, so it was little surprise when Jose moved to Stamford Bridge that he brought with him the man he called his "eyes and ears".

In London, Mourinho's increased level of trust allowed him to enjoy even more responsibility: as well as scouting the opposition, Villas-Boas contributed to tactics by providing specific strategies that could get the better of their opponents.

After six trophies in three years with Mourinho at Chelsea, he took a nine month break to study art of management when Jose left the Bridge - returning to the Special One's coaching staff in 2008 when he was appointed manager at Inter.

Again, they enjoyed success together in their first season, winning the Serie A title and the Italian Super Cup but Villas-Boas abandoned Mourinho's coaching staff in October 2009 to pursue his own career in management, several months before the Special One secured an historic treble with Inter.

Villas-Boas, meanwhile, moved to Portuguese strugglers Academica when their manager departed with the team cut adrift at the foot of the Portuguse top tier.

For the remainder of the season, he helped steer them to an 11th place finish playing a brand of attractive football that won him plaudits all over the country. He ended the campaign ten points clear of safety and reached the Portuguese Cup semi-final, losing only to a late goal against Porto.

His success at Academica made him hot favourite to fill the vacant managerial position at giants Sporting Lisbon, but he moved back to Porto as manager instead.

Villas-Boas began his first year as manager with a Portuguese Super Cup victory over Benfica - proving the catalyst for an unbeaten 30 game league campaign which saw Porto collect 84 points out of 90, a new Portuguese record.

He's also guided them to the Europa League crown and the final of the Portuguese Cup, which they'll contest with Guimaraes this coming weekend.

BRITISH VIRGIN ISLANDS

The only black mark against Villas-Boas' name appears to be his spectacularly poor record as manager of the British Virgin Islands in 2000/01: two games and two defeats, scoring one and conceeding 14. But a quick search for recent results will tell you they lost 17-0 to the Dominican Republic in October 2010. Perhaps he did well, after all.

SIMILARITIES TO JOSE MOURINHO

They both worked as opposition scouts in the early parts of their careers although the similarities stop there. Villas-Boas plays a more attacking style of football and by his own admission, is rather more humble. Only this week, he was full of praise for Barca manager Pep Guardiola, so perhaps it wont be too long before we see him and Jose going head-to-head for La Liga.


ANDRE VILLAS-BOAS' RECORD BREAKING SEASON WITH PORTO IN NUMBERS

36 - consecutive games unbeaten across all competitions
84 - highest points tally in a 30 game Portuguese season
14 - most European victories in one season by a Portuguese club
21 - biggest points margin over second place in Portuguese league
16 - most consecutive victories in Portuguses league
33 - youngest manager to win a major European trophy

André Villas Boas, el niño se hace un hombre



“Míster, ¿Por qué no juega Domingos Paciencia?” A Luis André Pina Cabral Villas Boas le atormentaba ver como el delantero del Oporto, su gran ídolo, había perdido su puesto en el once titular. Aquel joven de 16 años, un apasionado del ‘Championshp Manager’, estaba convencido de que el atacante aun tenía muchas cosas que aportar al equipo que, en el lejano 1994, dirigían Sir Bobby Robson y José Mourinho.

Sin dudarlo, y aprovechando que vivía en el mismo edificio que el técnico inglés, el chico escribió una carta en la que desmenuzaba cómo sacar más rendimiento a Paciencia y la dejó en el buzón de Robson. El entrenador quedó tan fascinado por lo que leyó que llamó a André Villas Boas para ofrecerle un puesto como ayudante en prácticas. Fue el inicio de una carrera fulgurante.

Diecisete años después, aquel adolescente de buena familia, bisneto del primer vizconde de Guilhomil, ha llevado al Oporto a ganar su liga número 25 a falta de seis jornadas para el final y sin perder un solo partido hasta el momento. Los ‘dragones’ consiguieron el título este domingo en casa del Benfica, eterno rival y campeón vigente, lo que provocó que el Estadio Da Luz se quedara a oscuras para evitar la celebración de los visitantes.

El equipo de Villas Boas, que con 33 años es el más estratega joven de la categoría, solo ha cedido dos empates y le saca 16 puntos de ventaja al segundo, el Benfica, y 31 al tercero, el Sporting de Braga que entrena precisamente Domingos Paciencia. El club de ‘O Dragao’ se ha basado en la solidez defensiva de Rolando, Otamendi y Fucile y solo ha concedido 9 goles en 25 partidos. En ataque ha destacado el tridente formado por Hulk, Varela y Falcao (40 goles), apoyados desde el centro del campo por Guarín, Moutinho y Belluschi.

Mourinho y Robson, impresionados con los conocimientos tácticos que el joven Villas Boas demostraba trabajando en las categorías inferiores del Oporto, le ayudaron a completar un curso de entrenador en Lilleshall (Inglaterra) y otro en la UEFA. Con solo 17 años, André se fue a estudiar los métodos de George Burley en el Ipswich Town, el modesto conjunto inglés con el que Sir Bobby Robson llegó a ganar una Copa de la UEFA en 1981 .

Villas Boas encontró su primer trabajo como técnico principal a los 21 años. Se convirtió en seleccionador de las Islas Vírgenes y pasó 18 meses en el cargo. Le despidieron tras perder 0-9 ante Bermudas. “Solo les dije mi edad cuando me fuí”, explicó al diario británico The Independent. A su regreso a Portugal, entrenó a los juveniles del Oporto hasta que Mourinho asumió las riendas del primer equipo y contactó con él para que fuera uno de sus ayudantes.

Frecuentemente le comparan con Mourinho. Sin trayectoria como futbolista profesional y con tendencia a polemizar con los árbitros y los rivales en las ruedas de prensa, las similitudes parecen evidentes. Pero Villas Boas lo niega. "Tengo más de Robson que de Mourinho. Tengo descendencia inglesa y me gusta beber vino. Se habla con frecuencia de mi juventud y la única forma de acallar las críticas es conseguiendo muchas victorias”, dijo durante su presentació como entrenador del Oporto.

André y José trabajaron codo con codo también en el Chelsea y en el Inter. “Él es mis ojos y mis oídos”, decía Mou de su ayudante. En 2009, sin embargo, Villas Boas decidió volar en solitario. Fichó por el Académica de Coimbra, donde realizó una temporada muy interesante con un equipo predestinado al descenso pero que finalizó 11º desplegando un fútbol atractivo.

Los ‘dragones’ le repescaron esta campaña para sustituir a Jesualdo Ferreira y los éxitos no se han hecho esperar. A pesar de haber conquistado el título, a André Villas Boas aun le quedan retos este curso: acabar la liga sin perder ni un partido, algo que sólo logró el Benfica en 1972/73, y luchar por la Taça de Portugal y la Europa League.

texto de DAVID RUIZ MARULL

O treinador André Villas-Boas



Foi os olhos e os ouvidos de Mourinho, com quem tem muito em comum apesar do choque entre duas personalidades parecidas. Com ele, o FC Porto vive uma época excepcional

Quem é

O treinador mais jovem da liga portuguesa é também o mais aristocrata. Nasceu a 17 de Outubro de 1977 (33 anos) e é bisneto de José Gerardo Coelho Vieira Pinto do Vale Peixoto de Villas-Boas, o 1.º visconde de Guilhomil, título criado pelo rei D. Carlos I, em 1890. André Villas-Boas é hoje o técnico da moda em Portugal muito à custa do seu inglês very british, uma influência da avó proveniente de uma família inglesa. Porque foi a fonética perfeita que o ajudou a cair nas boas graças de Bobby Robson, quando, a meio da década de 90, o interpelou no elevador do prédio em quem ambos viviam. "Mister, porque não joga o Domingos?", disparou, insatisfeito por o seu ídolo dos relvados ser suplente de Vinha. A argumentação do jovem André foi sustentada numa estatística que também impressionou o britânico. A partir daí, Robson passou a entrar nas conferências de imprensa com um papelzinho na mão e a debitar o número de cantos, remates, ataques, etc., dos jogos terminados há minutos. Só algum tempo mais tarde se descobriu que estava a aproveitar o trabalho estatístico do seu vizinho de 16 anos.

O que fez?

Concluído o 12.º ano, esqueceu o curso de Letras, preferindo seguir o conselho de Robson e especializar-se em futebol. Uma recomendação do britânico valeu-lhe um curso em Inglaterra e uma outra de José Mourinho (então ainda adjunto) permitiu-lhe participar numa acção de formação da UEFA. Começou a trabalhar nos escalões de formação do FC Porto, mas não tardou a tornar-se director técnico das Ilhas Virgens Britânicas (chegou a seleccionador), escondendo sempre que só tinha 21 anos. "Só lhes disse quando vim embora." Após 18 meses no Caribe, Mourinho lembrou-se dele quando formou a equipa técnica com que iria levar o FC Porto à conquista da Champions e de tudo o mais o que havia para ganhar. André tinha uma missão específica: analisar os adversários e os potenciais reforços. Dois anos depois, Mourinho reconheceu o mérito dos seus relatórios estendendo-lhe o convite de Abramovich para ir domar o Chelsea, que não ganhava o título inglês há 50 anos. Em 2004, o special one apresentou ao The Independent o seu colaborador mais jovem (André tinha então 26 anos): "Ele é os meus olhos e os meus ouvidos no campo rival." A ligação prosseguiu em Itália, mas nem o sucesso do Inter de Milão servia para disfarçar a tensão entre Mourinho e André, que revelou a vontade de se emancipar. A relação seguia desgastada até pelo choque de duas personalidades demasiado parecidas quando, a 13 de Outubro de 2009, aceitou o convite da Académica. Aos 31 anos trocou o clube que se iria tornar campeão europeu pelo último da Liga portuguesa. Dois meses depois, esteve perto de se tornar treinador do Sporting, que voltou à carga em Abril. Mas o pacto foi rasgado por mútuo acordo. André, que antes havia apelidado de "palhaçada" a hipótese de seguir para Alvalade, rotulou de "fantochada" as notícias que explicavam a sua mudança de rumo com um convite de Pinto da Costa para substituir Jesualdo Ferreira. A 2 de Junho de 2010 foi apresentado no Dragão.

Por que o escolhemos?

O FC Porto teve o melhor arranque de época dos últimos 25 anos, superou mesmo o primeiro semestre de Mourinho no Dragão, tem a melhor defesa da Europa e é a única equipa invencível até ao momento na Europa. Oito pontos de vantagem na Liga devem ser suficientes para que Villas-Boas celebre o seu primeiro título nacional - ninguém acredita numa hecatombe portista de que não há memória. A sua carreira ficará para sempre marcada pelo primeiro jogo oficial ao serviço dos portistas. Mais do que a vitória na Supertaça, o jogo serviu para minar a confiança de um Benfica que se achava e era tido quase por imbatível. No FC Porto, não demorou muito a criar uma equipa ainda com mais estilo e ambição e com um vigor juvenil e uma alma que contagia. E foi construído com a herança que lhe foi deixada por Jesualdo - João Moutinho é a única novidade nos titulares -, mantendo-se o sistema táctico e até a defesa zonal nos lances de bola parada. A diferença é que os adeptos saem mais satisfeitos, porque sabe sempre melhor ganhar com um futebol feito de posse e circulação de bola.

O que podemos esperar dele?

A imprensa internacional fala num "mini-Mourinho que segue os passos do seu mentor". A referência não agrada a Villas-Boas (por razões futebolísticas, mas não só...). Villas-Boas garante que Robson é, e será sempre, o seu modelo. Mas há, de facto, demasiados pontos de contacto com o special one. E que não resultam apenas dos cinco anos de contágio, da barba de dois dias e do início de carreira também polémico. Porque a pose ufana, o discurso ensaiado, cortante e desinibido, o trabalho metódico e a capacidade de correr riscos trazem, de facto, muitas recordações, não importando para o caso se na versão two ou three. A imprensa italiana já diz, por exemplo, que o milionário Mássimo Moratti o tem debaixo de olho para o Inter de Milão. Villas-Boas é portista de coração e diz que está no lugar com que sempre sonhou. Mas, mais cedo ou mais tarde, irá partir para tentar provar noutras paragens que também é especial.